Crianças consumidoras

Crianças consumidoras

Educar uma criança a consumir com consciência é tão importante quanto ensiná-la a escovar os dentes ou a dizer “por favor” e “obrigado”. Não se trata apenas de dinheiro: a educação financeira ensina futuros adultos a fazer escolhas com mais segurança e a lidar com as próprias frustrações.
Confira a seguir quatro erros comuns que podem contribuir para que seu filho se torne um adulto exageradamente consumista e mais insatisfeito com a vida:

Dar ao filho tudo o que você não teve
A tentativa de comprar para os filhos tudo o que você não teve na infância é um equívoco frequente, segundo a psicanalista e educadora financeira Cássia D´Aquino, autora dos livros Dinheiro compra tudo? e Como falar de dinheiro com seu filho.
“Os pais confundem o que é a sua vida com a vida dos filhos e se obrigam a atender exigências que eles mesmos se colocam. Mas nem tudo o que tiveram ou deixaram de ter é o que a criança precisa”, explica.

Tentar fazer seu filho feliz 100% do tempo
Não existe uma fórmula simples para tornar seu filho um adulto seguro e feliz. No entanto, ensinar uma criança a lidar com as frustrações certamente a tornará um adulto mais pronto para enfrentar a vida.
“Uma criança que entende os limites da realidade, inclusive do dinheiro, será um adulto mais capaz de lidar com as próprias inseguranças e de compreender que ninguém tem tudo”, diz Cássia.
Para isso, ensine seu filho a esperar. “Quando você compra um chocolate para a criança, mas determina que ela só vai comer em tal momento, você está dizendo para ela que ela aguenta esperar para consumir algo e, mais do que isso, que ela suporta a dor”, diz a educadora.
Não levar a criança ao supermercado
Há alguns anos, levar as crianças ao supermercado era visto pelos educadores financeiros como um estímulo ao consumo. Hoje, a orientação dos especialistas é justamente o oposto.
É importante que as crianças participem da rotina de decisões de consumo da família. É claro que você não precisa levar seus filhos toda vez que for ao supermercado, mas vale aproveitar o mercado e a feira de vez em quando para ensinar a fazer escolhas.

Dar a mesada, mas não ensinar a administrá-la
O mais indicado é dar a semanada entre 6 e 11 anos e, só depois disso, a mesada, quando a criança já tem mais noção sobre o tempo. Mas é preciso lembrar que tanto a semanada quanto a mesada são instrumentos pedagógicos que os pais escolhem ou não usar para ensinar sobre consumo.
Por isso, entregar o dinheiro na mão da criança sem ensiná-la a usá-lo não faz sentido. Explique a intenção da semanada, ensine a anotar os gastos e oriente que uma parte do dinheiro pode ser guardada para comprar algo mais caro no futuro. Não censure os gastos da criança, afinal, esta é a hora de consumir errado para aprender.

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